O homem conquistou seu
futuro com o advento da escrita. A história sempre a colocou como o grande
marco de nossa existência, nossa história é contada a partir de seu surgimento,
quando o homem consegue transferir seu conhecimento através da escrita.
Milhares de anos se passaram e a escrita sempre presente, o homem muda e suas
formas de grafar a informação, fixar conhecimentos, evoluem, porém a ideia
principal prevalece. Ainda “riscamos em paredes“ para demarcarmos territórios,
expressarmos força ou sentimentos. Ganhamos novas telas para nossa comunicação,
as paredes ampliaram-se. Criamos meios de exposição em massa, utilizamos as redes
de comunicação, as redes sociais, as mídias e os próprios objetos para nos
comunicar. O mundo tem necessidade de se expressar, falar e ser ouvido. Somos
seres sociais e isso implica fortemente nesta necessidade fisiológica de
interagirmos com o próximo, procuramos meios para ampliarmos cada vez mais
estas interações conquistando o domínio do conhecimento e porque não dizer, do
universo. A escrita em todas suas formas nos propicia este acúmulo de
conhecimento, comunica e constrói a informação.
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
Valores Éticos, Moral e Diversidade Cultural na escola.
Falar de ética e moral na educação
parece coisa simples, afinal todo profissional de educação tem. Talvez não seja
tão simples assim...
Se fossem discutidas mais, dentro do
ambiente escolar, talvez encontrássemos tantos erros em nossos próprios
(pré)conceitos de ética e moral que acabariam por contribuir para uma mudança no
rumo de nossas práticas dentro e fora da escola.
Falamos de valores culturais
diferentes, porém só na palavra, visto que o diferente na escola não é estudado
e sim marginalizado. Diferente aqui não é a minoria, mas a grande parte de
nossos alunos, queremos modifica-los dentro de uma forma social, padronizá-los,
ignorar sua bagagem social e jogar-lhes goela abaixo aquilo que a sociedade
dita como normal/natural.
Esta normatização do homem que o tem como
objeto e não como ser, esta padronização do certo e do errado, onde o certo
significa uma única linha de atitudes e cultura e o errado é tudo que não está
contido nesta linha, é que acaba ditando tantos preconceitos sociais.
Temos que aprender a ler estas culturas
de forma aberta, entendê-las para que possamos auxiliar na construção de
cidadãos. Trabalhar com culturas diferentes vai além dos alunos e da comunidade
escolar. Todos os servidores da educação também têm sua história, sua cultura particular,
seus valores, e o fato de muitas vezes possuírem uma “cultura” escolar (nível
de escolarização, na verdade) maior que os dos alunos, isso não implica que
seus valores estejam 100% corretos, ou
que sejam os donos da verdade.
Valores morais devem ser analisados
dentro de seu contexto, observar bem antes de julgá-los. Por exemplo, exigir
que um aluno venha bem vestido de casa, mas o que é o bem vestir?
“– Menina tu sabes que não pode usar
roupas curtas na escola, vai pra casa se trocar.”
Porém, será que ela possui outro tipo
de roupa em casa? Sua família tem condições de comprar roupas “descentes”. O
que afinal é descente ou indecente para esta família?
Professoras e funcionários com
decotes avantajados, roupas transparentes, coladas e calças de cintura baixa.
Questão cultural ou posição social?
Um fato que aconteceu há alguns anos em
minha escola. Uma turma de alunos da 2ª série do EM, comunicam indignados que
uma colega que não possui bons hábitos de higiene, está com piolhos e alguns
chegam a cair sobre os ombros e classe.
Indignados com o fato, querem uma atitude da escola. De prontidão, uma
professora sai pelos corredores chamando a aluna, dizendo que tem uma receita
para acabar com os piolhos dela. Uma boa contribuição para com a turma e a
comunidade escolar. Todavia, isto foi um ato ético?
Muitos fatos acontecem em nossa volta
que acabam passando despercebidos. Ora por não darmos o real valor, ora por
julgarmos ser aceitável.
Numa escola em que estudei um
professor perde parte de sua alua conversando sobre sua vida pessoal, seus
filhos, problemas para estacionar e outras futilidades e, ainda, para denegrir
a imagem de outro professor.
Muitas vezes não se consegue separar
a vida pessoal da profissional. São colegas discutindo sobre a vida de outro
colega ausente. São escapadinhas em horário de trabalho para ir cortar o
cabelo, pintar as unhas, até mesmo
viajar.
A ética profissional, que é imprescindível
para que seja um bom profissional, é
esquecida. A moral se torna tão flexível que acaba tornando o ambiente
extremamente permissível, beirando a amoralidade.
Lógico que estes exemplos não devem
ser vistos como algo normal e tão pouco corriqueiro em uma escola. Os eventos ocorrem ao
longo dos anos, porém o que preocupa é a falta de reflexão sobre eles. A
cultura do “não dá nada”, aparentemente, herdada dos alunos (aparentemente), enegrece
e polui a escola e a nossa sociedade. Devemos ser mais responsáveis por nossos
atos, aplicar deveras o conhecimento acumulado em cursos e seminários. Não
criticar veladamente as diferenças culturais e sociais e fingir que as aceita.
Está na hora de aprender a trabalhar com estas diferenças, criar e adotar novos
valores morais e dar uma polida nos antigos.
Chegou o momento de trabalhar a ética
em nossas escolas fora das disciplinas, palavra X significado, mas dentro do
ambiente escola/trabalho, lembrando sempre que o exemplo, a prática, ensina muito
mais do que centenas de palavras dentro de um caderno que ficará fechado numa
gaveta.
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